quarta-feira, 21 de março de 2012

Katmandu, Nepal

Começo pelo inicio: Hoje fui chamado ao escritório!

Sim, este é o início da história que se segue. Fui a Kathmandu já por duas vezes e das duas vezes, o Nepal mostrou-me sensações tão de pacíficas como de caóticas. É mesmo essa a mística da capital do país onde nasceu o Buda.

Uma das experiências já a tinha relatado numa nota que escrevi, que por sinal foi a minha Passagem de Ano quando lá estive que passo a citar:

"Ainda me lembro de um documentário que vi com a nossa jornalista Teresa Conceição (se  memória não me falha) que sempre admirei pelo seu espirito de aventura, irreverência e a sua paixão reflectida nas suas palavras... Era mais um diário sobre uma jornada Camel Trophy by Land Rover pelo Tibete... Claro que antes disso passaram pelo Nepal e aí, já sabendo qual era o pico mais alto do mundo e sabendo mais ou menos o que representava já na altura o Tibete que fiquei com um desejo crescente de o visitar. O filme "Sete Anos no Tibete" veio ajudar e ainda fazer-me desejar viver (quase toda) a acção nele decorrida... Felizmente, e gracas a minha actual vida, consegui realizar uma parte deste sonho!


Passagem de ano em Kathmandu? A chegar cerca das 22:30, ainda pensava celebrar a entrada em 2012 ainda a trabalhar... E iria divertir-me na mesma!!! Mas felizmente, com boa vontade de todos (e penso que também dos passageiros que voaram connosco que deviam querer ir para 2012 fora do aeroporto) chegámos ao hotel ainda a horas de podermos ser nós próprios (civis!) nas boas vindas a 2012! Que festa... Com algum nada à nossa volta, fizémos nós a nossa festa... E não se preocupem pois passei a sabedoria da nossa tradição e dei a oportunidade a todos os meus colegas, incluindo mesmo os que iriam regressar na rota que eu voei, de pedirem os famosos desejos ao som das baladas (que também ajudei a representar com a minha garrafita de Carlsberg de litro e o meu copo de tequilla a baterem um no outro) e a comer as doze passas... Ahhh... Que bem que soube mostrar o que é nosso! Não pelo ser português mas sim por ser algo típico e por estar a ser utilizado para unir várias culturas e religiões e a dar a oportunidade de fazer com que sonhos ou objectivos se realizem!

Mas "cedo" nos fartámos de estar sentados no Lobby Bar que já tinha fechado e apesar de ainda estar a dar a minha musiquinha dos anos 80 e 90 (fui carregado de equipamento de som!), precisávamos de algo mais. Foi então que alguem se lembrou de que estava um casino aberto 24 horas por dia e fomos... Chegámos todos à conclusão de que era mesmo um casino. Daqueles que são só casinos! Sabem? Só de jogo...

Enfim, regressámos mas felizmente havia afinal uma discoteca aberta num quarto qualquer! Onde mais uma vez lá fiz de Dj... Pelo que me iam pedindo, a música portuguesa está em grande no panorama internacional! Não que conhecessem muito mas pelo menos tinham interesse em conhecer.



Sistema de transportes públicos de Kathmandu?


Sim, fazia planos de me levantar por volta das nove da manhã para aproveitar o pequeno-almoço grátis (tão boa esta palavra!) e visitar o Swayambhunath, mais conhecido por Templo dos Macacos.

Hmmmm? Adivinharam! Não acordei a horas para tal... Mas não deixei de ir só que quando me decidi a ir o sol já se estava a pôr. Foi aí que começou a demanda de encontrar táxi. Haver havia - às dezenas de cada vez parados como se estivessem numa praça. Sempre que tentava negociar preços com alguém diziam-me sempre que não podiam pois estavam na fila, mas sempre que perguntava onde começava a fila, se pela frente ou por trás (mantenham-se no contexto, por favor), respondiam-me qualquer coisa naquele inglês já famosamente imperceptível (pelo menos por mim). Finalmente depois de encontrar um táxi a um preco razoavel na estrada fiquei a saber que o que eles realmente estavam à espera era de cobustível pois aparentemente há uma grande lacuna na distribuição devido aos preços altissimos praticados em quase todo o lado (menos no Médio Oriente!).

Depois de uma estrada que mais parecia um caminho de cabras do monte, e depois de termos optado pelo caminho de carro e não pelo pedestre pois já estava escuro,  lá chegámos! Não imaginava a quantidade de macacos existentes naquele templo - são cerca de oitocentos. Fotografias não há muitas pois já quase nada se conseguia ver... Mas conseguia sentir a forte presença espiritual à minha volta! Não sei se era dos gigantes Budas, se das rodas da sorte que devem ser giradas sempre no sentido do relógio, se do que os locais chamam The Mountain (Evereste)... Só sei que queria voltar àquele lugar no cume da montanha para conseguir ver o que a escuridão escondia.

Excelentes notícias! O meu vôo de regresso tinha sido cancelado, o que me deu mais 24 horas para, como diz o Pedro Abrunhosa, "fazer o que ainda nao foi feito"! Obrigado, Buddha... Pela oportunidade!

Levantei-me cedo, aproveitei o tal pequeno-almoço grátis mas... Estava chover... Regressei ao quarto... De repente... O sol abriu o seu sorriso e piscou-me subtilmente o olho, fazendo-me reflectir e concluir que estava na hora de aproveitar esta oportunidade. Fui! Pelo caminho pedestre...

Este caminho consiste basicamente em subir o lanço de trezentos e sessenta e cinco degraus com uma inclinação de quase cem por cento.


À conversa com... 
um cameraman da
National Geographic
Assim que cheguei, dois miudos perguntaram se se poderiam juntar a esta jornada com o intuito de melhorar o inglês. Claro que desconfiei mas aceitei e aproveitei esta oportunidade para perceber melhor o templo e o budismo em si... Segundo as crenças budistas, deve-se sempre iniciar a jornada pelo lado esquerdo, no sentido dos ponteiros do relógio e deve-se completar assim o ciclo de regressar pelo lado direito para atrair boa sorte... E assim me mostraram o templo todo, onde consegui no meio de confusão, de tentativas de negócios e monges budistas e ocidentais a cantar enquanto davam uns acordes na sua viola, ver paz! Ao som de macacos a saltar e a passarem por mim e águias a planar e a descansar em árvores despidas de folhas com Kathmandu e os Himalaias como pano de fundo... Silêncio bem aproveitado a absorver o que o Nepal me estava a oferecer. Delicioso... Namaste

Vi uma piscina de macacos que não estava a ser utilizada devido ao frio do inverno (talvez o spa dos macacos estivesse em manutenção!), os três budas na foto representados que são respectivamente da Índia, Nepal e Tibete... Segundo a História o Buda que quando nasceu era só um nasceu no Nepal...


Na foto, um funeral segundo a
tradição hindu com a respectiva

cremação do corpo (explicado

por um dos meus "guias")


Quando finalmente regressei ainda com o Susan e o Darshan a acompanhar-nos, quando completei o ciclo da minha jornada, pediram-me para comprar leite para os seus irmãos... Um leite que mesmo depois de lhes pedir a verdade, a meu parecer os comerciantes já sabem o que os visitantes irão comprar e que já têm um preço "taxado" especialmente para turistas. Quero eu dizer com isto que quem quiser acreditar que está a ajudar alguém pode trazer leite, fruta ou calçado fechado pois estes dois miúdos costumam passear de chinelos de praia... Nota-se perfeitamente que estão habituados àqueles passos, mas...


Estes 365 degraus, para mim representam todos os dias (este ano é bissexto mas hoje já é dia 2) que terei de escalar este ano com alguns degraus mais dificeis do que outros de subir mas no final a paisagem é desconcertantemente calma... Feliz 2012 e Vejam sempre o copo meio cheio!

Namaste"







Longe de saber a lição que a vida (ou um futuro passageiro) me viria ensinar...

No meio das muitas tarefas que tem um Cabin Crew, estava eu a servir o jantar aos passageiros no vôo de regresso a casa quando um passageiro me mostra um papel escrito em inglês que dizia qualquer coisa como "Peço desculpa mas por motivos de saúde não posso comer as vossas refeições".

Nunca se deve pedir desculpa por se estar doente e foi com esse comentário e com vontade de arranjar uma solução para este passageiro não passar a viagem de estômago vazio que lhe consegui arrancar um sorriso no meio de uma cara de visível sofrimento... Foi então que para melhor lidar com esta situação que este senhor, chamado de James Butt, me confessou que lhe tinha sido diagnosticado um cancro no estômago.

Passado algum tempo depois do serviço e já com as luzes apagadas pois este era um vôo nocturno, ao passar pela cabine, deparei-me com um olhar para o vazio visivelmente transtornado. Eu sou um ser humano e sei que às vezes em momentos menos bons basta alguém puxar-nos um sorriso para nos fazer acordar virados para o lado em que a lua brilha... Vi um lugar vazio ao lado do James e pedi autorização à minha CS (chefe) desse vôo para me sentar ao lado dele ao qual amavelmente ela acedeu ao meu pedido!

Foi esta a deixa para uma conversa que se veio a tornar também numa importante lição pessoal... Falámos um pouco de tudo, desde esta ser a terceira vez que o cancro o atacava, passando pelo facto de o James já ter escalado o Everest até à experiência que teve nas Forças Especiais Britânicas cujo nome oficial é SAS...

Cresci muito com este momento e também eu fui confortado com esta conversa e a frase do até já foi qualquer coisa como "Se já sobrevivi a algumas balas, não é este bicho que me vai roubar a vida".

Foi com esta força que me levantei e agradeci a James pela lição que ele me deu...

Importante aqui dizer que ele me agradeceu por ter transposto a barreira do que é um Cabin Crew... Aquela idéia pré concebida de um robô que abre e fecha as portas, arma-as e dearma-as, serve e segura a cabine... Estas são palavras de James e não me interpretem mal pois o facto de estar a escrever esta parte é somente para demonstar que às vezes um gesto, por mais pequenino que seja, consegue alterar por completo o nosso dia.

Recordo assim uma música que representa a mensagem que gostaria de passar... Desta vez um clássico do Bobby McFerrin, cuja frase principal me tem acompanhado todos estes novos dias, "Don't worry, be happy"!

Não se preocupem, sejam felizes...




Ahhhh... Fui chamado ao escritório! O James escreveu uma carta à minha companhia da qual num ambiente um tanto ou quanto descontraído (eu estava ainda na expectativa) com três  Performance Officers (traduzindo, uma espécie de avaliadores de performance) à minha volta leram-ma...

Não, James... Eu é que te agradeço... Por fazeres de mim uma pessoa bem mais rica do que era antes de te ter conhecido!

Obrigado

P.S.: E num aparte, um agradeço especial às pessoas responsáveis pelo reconhecimento.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Beirute, Líbano

Uma aventura em Beirute

Podia muito bem ser o título de mais uma fantástica aventura das nossas famosas escritoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada das quais confesso ainda ter o bichinho de ler. Não foi (pelo menos ainda)!

Tenho dois tipos de vôos: com "layover" ou "turnaround". Tal como os nomes indicam, são respectivamente ficar no destino ou ir-e-vir directamente. Outra coisa que muita gente se deve perguntar é "Mas que raio é que estes gajos trazem dentro daquele trolley para andarem sempre com ele?". Passo a explicar: além de informações e documentos super importantes e instrumentos de trabalho como lanternas, luvas e alicates (estamos preparados para quase tudo!) andamos também com um conjunto obrigatório denominado de "nightstop kit". Roupas civis e um nécessaire para o caso de ser necessário pernoitar num destino para o qual não seria suposto fazê-lo.

O quê? Já sabem o que me aconteceu?...

Pois foi isso mesmo... Um vôo extremamente desafiante pelas mais variadas razões mesmo sendo curto finalmente tinha acabado e só pedíamos para que o regresso fosse bem mais calmo... Mesmo depois de chegarmos à conclusão que não iria sê-lo já que tinham acabado de actualizar-nos com o número de passageiros no regresso: Cheio! Outra vez...

Tanto que pedimos que chegou-nos a notícia de que o avião tinha um problema técnico e que estavam a tentar encontrar uma peça essencial para este funcionar... Depois de umas horas à espera deitados na primeira classe a ver "As Aventuras de Tintin", finalmente recebemos as novas de que iríamos passar a noite em Beirute, no Líbano. Nunca pensei que iria fazer uso deste tal de nightstop kit, mas o que é certo é que deu-me um jeitaço e ainda devo actualizá-lo... Colocar uma sweat-shirt para o caso de pararmos em sítos onde chove torrencialmente e a temperatura não ser assim tão alta como isso... Ah! Foi o que me aconteceu... E não me esquecerei de ter sempre um livrito, uma revista, um tablet, enfim... Estão a ver a cena... Não que me esteja a queixar já que uma excelente notícia que nos deram foi que para compensar teríamos room service e refeições gratuitas, por isso creio que entertenimento também não me fez assim tanta falta... Ah! E já agora, o hotel era muito bom também... 
Curiosa foi observação do recepcionista quando começou por nos dizer "Er... Desculpem. quase que me esquecia de vos dizer mas já não temos quartos...". O quê? Quartos disponíveis para todos?
"... quartos com camas king size!". Ahhh! Ufa...

As tais camas que não eram as king size são as equivalentes às de casal que nós conhecemos... E ainda por cima tive direito a um quarto-de-vestir! Só não lhe dei muito uso, como devem imaginar...


Portanto, um turnaround que se tornou num layover, mais uma vez curto mas intenso... Não tanto mas intenso na mesma até porque ainda aguentei cerca de dois minutos a ver a versão árabe dos Ídolos: "Arab Idol"! Huuummmm...



Mas mais intenso foi mesmo o regresso... Arrancaram-nos da cama bem cedo (a tal ponto de não ter tido tempo de usufruir do pequeno-almoço grátis) para nos informar que a nossa partida seria dentro de bem pouco tempo, que iríamos operar o vôo de regresso mas... Sim! Com o avião vazio... Aventura de primeira classe! Sim... Outra vez, mas o filme desta vez foi o "Gato das Botas"...

Adorei! Todo este filme...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Calecute, Índia



"De um vôo pedido e obtido a Déli, nas últimas horas anteriores literalmente, alteraram-mo para Calecute... Lembram-se? Sim... Uma oportunidade para oferecer as fotos devidamente impressas ao tal senhor que ficou tão contente ao se ver nelas.


Pois bem! Estou a escrever-vos neste momento da piscina do hotel, onde um sol já meio tímido ainda insiste em bater no meu peito... A água ainda me convida mas não vou sem antes transcrever a minha demanda.

Fui à oficina onde foram tiradas as tais fotos... Estava uma jovem menina sozinha e perguntei-lhe se percebia inglês... Abanou a cabeça. Desta vez entendi o abanar: "Mais ou menos"! OK, já sei que isso significa que vai ser uma luta para nos entendermos. Perguntei-lhe então se conhecia o senhor da foto... "Sim", com um sorriso mas afirmou que não estava lá... Pedi então se poderia ver alguém dos outros dois que se encontravam lá nesse dia. Pois um estava e apesar de nao saber falar inglês, consegui perceber que o Sr. "Mistério" se encontra doente a cem quilómetros de distância e que é o encarregado de carregar o material.

E agora?... Como lhe posso enviar as fotos tendo ao mesmo a certeza que serão recebidas visto a comunicação ter algumas interferências?
O boss que está neste momento na igreja a rezar e que está sentado à patrão na secretária da oficina na foto e que me poderia ajudar nesta saga, chegará só por volta das 17 horas e até lá estarei eu aqui deitado na espreguiçadeira... Lá está: Copo meio cheio!

Mas espera... Que horas são agora? Vou ver! Hmmmmmmmm... Já vos conto o resto!



Pronto. Cá estou eu de volta à vedação quatro ou cinco estrelas vulgarmente denominada de hotel. Lá fora o sol até bate com mais intensidade!

"Olha, desculpa... Vais contar o resto? É que eu ainda tenho de ir ali tratar de umas cenas..."

OK! OK! Já viram o filme "Quem quer ser bilionário"? Lembram-se das crianças a caçar em matilha? Fui abordado no meio da rua por um grupo enorme de criancas e todas me queriam cumprimentar... Eu sei que estou numa cidade pequenina mas desta vez, depois de uns sorrisos começaram todas a pedir-me 10 rupees. Deixei de perceber então a genuidade dos sorrisos.
Mas cheguei à oficina! O boss ainda não tinha chegado e depois de conhecer melhor a Praseetha, a jovem menina atrás do balcão a ler a revista tipo a nossa Maria e a ouvir rádio no seu telemóvel e o senhor Feroz que de feroz não tinha nada, resolvi deixar a entrega para outro dia... E pelo que entendi, o senhor (que já encontrei o nome) Kunji virá (agora não percebi eu bem quando) na segunda, para a semana ou Maio. Mas numa mistura de sorrisos e de acenos de cabeça meus e abanar de pescoços deles lá nos despedimos e agradeci-lhes, ameaçando visitá-los na próxima vez que vier aqui...

Agora... Podem ir lá tratar das vossas cenas que eu vou ver ali a temperatura da piscina!"


in Calecute

domingo, 15 de janeiro de 2012

Roma, Itália

Ola, Bella Italia!


Foi como a primeira foto. Roma, uma macacada! Como alguém (1) dizia, uma estadia curta mas muito intensa... Chegar, a tradicional foto de boas-vindas à minha modesta caserna, trocar de roupa e arrancar! Desta vez sobrou uma equipa de Três Tristes Tigres que basicamente foi ao grande e colossal Coliseu de Roma e, por anoitecer tão cedo e a estadia ser curta, decidimos vaguear pelas ruas de Roma. Três que se fizeram um, a cantar a uma só voz por essas ruas estreitas e largas da cidade... Sem rumo, sem juízo, mas obtivémos largas críticas positivas no que toca à nossa voz! Principalmente em relação à minha imitação do Rei - Elvis Presley. Creio que se tivesse levado um chapéu, teria ganho o dia, conforme fazem aqueles vestido de gladiadores mas a fazerem figuras de palhaços para sacar dinheiro a turistas. E eu, como bom turista que sou tirei uma foto pois eles não me perguntaram se queria, simplesmente me puxaram para o cenário, para  a boca do lobo. Fui! Pediram-me 10€.

"Non che pasta... Escusa mile".


No fundo, já depois de nos apercebermos que não tínhamos já luz natural suficiente para poder ir a outros marcos históricos, deu para contemplar a mistura de cores entre o dourado do sol ao se esconder misturado com o dourado do Coliseu e as suas luzes que entretanto se vão acendendo... Uma fase em que o silêncio que vem de lá de dentro se torna ensurdecedor... Quase se ouvem os aplausos ao longe... O delírio intemporal... Os gladiadores!

Mas quando a fome aperta... Ou para quem me conhece, quando me dá a fome negra...
Estava com desejo de um risotto, mas não me contive ao olhar para uma loja de tanta coisa diferente, quentinha e italiana... Apetecia-me provar tudo mas decidi optar por uma espécie de base de pizza com queijo e, se bem me lembro, courgettes por cima... Fiquei com a ligeira sensação que escolhi a pior opção pela dureza do pão! Mas a fome lá foi assassinada, principalmente com o sorvete de côco e pistacho que me fez deliciar as papilas gustativas...


E foi assim, caminhar, andar, fotografar, comer, cantar, desfilar, regressar... Não necessariamente na mesma ordem!

Ciao, Bella Italia!


(1) - Não foram os tais cinco, sete minutos mas ainda assisti ao lusco-fusco



Nota do Autor: Há uma foto específica da qual não aceito comentários do género "Ah! Olha o pervertido a tirar fotos aos rabos das senhoras no metro...". Aceito, sim, esclarecimentos sobre aquela abertura naquelas calças. A primeira e até agora única conclusão a que cheguei foi que aquela peça de roupa serve estrategica e discretamente (?) para aliviar certas e determinadas pressões entretanto contraídas.

P.S.: Fui a Roma e vi o Papa! Está numa das fotos e era indiano... E mais não posso dizer!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Calecute, Índia


E se começar por dizer que não consigo dizer muito deste destino? Não querendo dizer com isto que estou a fazer jus ao que me disseram sobre Calecute (cidade anteriormente conhecida como Calicut, sendo agora Kozhikode, embora em português se continue a chamar de Calecute), que não tem nada para ver e para fazer. É mentira! Se chegarem lá e abrirem bem os olhos e a mente, recebem tanto como eu recebi... É verdade! Não consigo descrever muito bem o que senti, por isso nada melhor do que as fotografias que tirei que gravaram momentos inesquecíveis sendo os que mais se destacaram a forma e admiração com que as crianças me olharam, querendo fazer parte de uma imagem para mais tarde recordar ou partilhar dos seus feitos e sorrisos, como um grupo a querer mostrar o seu artista a dar mortais à retaguarda na praia e de um senhor de alguma idade numa oficina de uma esquina que quando me viu de câmara em punho me fez sinal de querer que eu lhe tirasse uma foto. Acedi imediatamente à bondade do seu gesto... Tirei e mostrei-lhe... Ficou tão embevecido que sem conseguir mostrar em palavras o que sentiu olhou para cima e passou-me a mão na minha cabeça como se me estivesse a abençoar... Acredito que foi isso que me fez. Querendo eu retribuir, pois isto foi um presente também para mim, quis que fosse ele a ter a oportunidade de tirar uma fotografia a mim... Queria mostrar-lhe que ele também conseguia fazê-lo. Com a ajuda de vários intérpretes e de duas tentativas, conseguiu! E que sorriso me mostrou... Inesquecível! Da próxima vez que voltar vou-lhe oferecer o seu retrato.



Quanto ao trânsito... Só tenho a dizer que de cada vez que olhava para a estrada prometia a mim mesmo que não iria olhar outra vez! Para terem uma pequena ideia, de uma pequena estrada com dois sentidos conseguem fazer uma auto-estrada de quatro e cinco faixas... Não me perguntem como!


Praia... Corvos no lugar de gaivotas, crianças a pular e a segurar gaivotas de papel... Famílias a passear... Dromedários, cavalos e árvores fortes e saudáveis no meio da areia e outras que para crescer têm que estar fechadas numa jaula... Cenário único!


P.S.: Claro que em pouco tempo de estadia e sem piscina a funcionar num calor abrasador e com esgotos a céu aberto a serem descarregados directamente na praia, não há assim tantas opções de fuga... Mas há sempre um copo meio cheio no lugar de um meio vazio!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal

A tradição ainda é o que era... Beijinhos e abraços e o suave toque do ser humano... Um pequeno gesto que consegue com a sua imensurável força tocar no mais frio e duro coração... Influenciem-se apenas por vocês e pelas energias positivas à vossa volta! Sejam sempre felizes e continuem a lutar por isso... A todos, sem excepção, um grande e feliz Natal! Sorriam... Faz bem a tudo... :)


Tiago Peres, 25 de Dezembro de 2011, 00:01 (Doha, Qatar)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Algiers, Argélia

Bem o que é que posso dizer de Algiers? Primeiro a confusão que se instalou no meu cérebro a tentar perceber se Algéria e Argélia eram países diferentes... Claro que não! Algeria é o país que visitei em inglês... No nosso português é Argélia... Quanto ao resto, o que conheci deste país? A primeira impressão foi a segurança... Em todo o lado! Não querendo dizer com isto que o país em si é seguro, mas que esta segurança se faz notar pela autoridade, lá isso faz. Desde o aeroporto que tem vários "check-in's", incluindo até na porta de entrada e nos duplos e triplos muros de betão e arame farpado em volta do aeroporto! Passando pelos vários checkpoints que a polícia faz na estrada com guardas armados de metralhadoras e espigões na estrada a fazer zig-zags para abrandar o trânsito e para fazer parar algum espertinho que tente ultrapassar estes pontos de controle! A praia fantástica mesmo em frente ao hotel e o terreno pertencente ao mesmo! Uma das razões foi a duração da minha estadia que foi muito curta, a distância da cidade e a final foi o conselho que o segurança do hotel me deu para não sair por aí sozinho pois já começava a escurecer... Mesmo ao perguntar-lhe como poderia aceder à praia! Para esse destino, ignorei o conselho...


Portanto convido-vos a ver o meu quarto (ahhh... aquela cama gigantesca onde cabem 5 Tiagos atravessados ao comprido e conseguem dormir perfeitamente sem qualquer desconforto...) com vista para a floresta verdejante (aquele verde-África natural e inimitável, e que só existe lá) com um pequeno parque de diversões lá ao fundo que estava fechado e me pareceu meio assombrado; e quase vista para o mar. A vista para o mar foi a Técnica de Limpeza (assim está bem!) que me convidou a espreitar a vista quando me viu com cara de totó a olhar para o mar no quarto em frente que estava aberto quando estava a sair da minha casa temporária! E claro, a ver a tão esperada praia, onde nela se pode encontrar tudo o que se precisa, incluindo calçado, garrafas de todos os líquidos e até aqueles inaladores para asmáticos carinhosamente apelidados de "bombas"... Claro que todos estes itens não se encontram disponíveis em estado novo!




Durante a minha estadia devo-vos também contar que deve ter havido um encontro qualquer importante entre ministros pois o hotel onde estive estava (quase) fortemente seguro por polícias, detectores de metais, e malas controladas por raios X e guarda-costas das comitivas de vários países que iam chegando então! Enfim, um rodopio de homens e mulheres engravatados e com vestimentas tradicionais e carros de alta cilindrada... Tive ainda a oportunidade de ir vendo alguns convidados de um casamento muçulmano e finalmente os noivos... E, ah! Provavelmente pela falta de oferta de actividades ainda tive direito a uma sala de acesso privado só para os da minha "espécie" com comida (só doces) a toda a hora e bebidas à borlix, incluindo o meu fantástico café expresso (ah, o vício)! Com televisão, internet, vista para a piscina e fora daquele rodopio de gente! Mas eu gosto de ver gente por isso quase só usei as cápsulas para o café dessa sala... Desculpem, daquele Crew Lounge! Creio ter tido mais privilégios do que os do tal "congresso"...



P.S.: Há apenas duas observações e duas perguntas que gostaria de ver respondidas em relação às fotos tiradas na praia:


1.º - Pescar ali só mesmo por desporto!

2.º - Ah, senhor Hilton! Esses esgotos a céu aberto directamente para a praia... Mas está certo, quase que passa despercebido!

3.º - Qual a razão de ter uma bandeira vermelha?

4.º - Se aquilo é uma zona militar, gostaria de saber qual o batalhão que ali esteve para deixar aquilo como uma zona de guerra...