sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Frankfurt, Alemanha

Tudo começou com um quarto no Hilton com vista para... Os escritórios da Lufthansa!

Mas tenho a dizer-vos que a Alemanha desta vez surpreendeu-me pela positiva! Talvez a Ângela Merkel sabia que eu viria a Frankfurt... (Piada fácil, eu sei!)

Calma! Nem tudo começou em bem... Saí para a cidade porque precisava de fazer uma actualização de software ao meu telefone mas só tinha uma nota de 100 USD e precisava de trocá-los pela nossa rica moeda de união, o Euro. Acontece é que as taxas de rating aplicadas nas casas de câmbio são um pouco altas e de cada vez que passava por uma mais alta ficava essa taxa. A conselho da recepcionista do hotel e em minha opinião também, decidi optar por cambiar "la pasta" num banco da urbe de Frankfurt para que não me saísse tão caro. É aqui que começa a minha demanda...


Saio da estação de comboios e vejo imediatamente um balcão do Santander. Pergunto se fazem câmbio, a menina, depois de fritar três dos quarto neurónios que ainda estavam em funcionamento, lá me deu uma resposta meia estranha mas da qual me acabei por cingir. "Sim e não! Sim, mas só se for cliente no nosso banco!".

Hmmmm... Mesmo sendo eu um cidadão da Comunidade Europeia? Perguntei por um banco mais perto, fui então àquele a que há mais de um ano dei uns euritos para subir à torre para apreciar a paisagem e saborear um licor de anis...

"Mas oh Tiago, tu vais a tanto lado e não contas nada!!!"
 É verdade, isto dá trabalho mas como é por paixão, vou-me portar bem para vocês!

Sim, o primeiro arranha-céus aqui da cidade, onde se situa a sede do alemão Comerzial Bank. Num átrio gigantesco onde nem sequer falta um bar onde não faço ideia do que as pessoas discutirão ali, mas será seguramente sobre dinheiro. Disseram-me para me dirigir a outro balcão da mesma filial que estaria aberto. Pois nesse quarteirão existirão umas dezenas de balcões e nenhum estava aberto!

Conclusão, foi um exercício e valeu também para a estupidez e para o susto.

Esqueci-me de tirar uma foto à porta de um dos balcões mas imaginem-me a tentar abrir essa mesma porta giratória sem conseguir sequer encontrar um manípulo de abertura quando de repente alguém ao meu lado abre calmamente uma porta normalíssima e a segura para eu entrar...

O susto vem da irresponsabilidade e da aventura. Já passei estradas como as super movimentadas de Saigão, no Vietname e foi aqui que por falta de cuidado mas a compensar, a atenção do condutor e dos bons travões e pneus do carro mesmo em piso gelado, neve (claro que outros factores também terão ajudado tais como as estradas serem limpas e devidamente mantidas pelo município). Mas independentemente disso, o que é certo é que estou aqui e só agora me dou conta da realidade do que poderia ter sido se alguns destes factores não tivessem entrado na equação.

(À conta de estar a escrever no meu regresso ao hotel, deixei que o meu comboio passasse pelo meu destino, mas já estou de regresso!)


Isto tudo levou-me a perguntar aos seguranças da estação onde me encontrava por pistas na minha busca pelos Euros perdidos, ao qual um deles me indica o McDonald's como uma boa possibilidade.
É aqui que o acaso, ou talvez um misterioso senhor, muda totalmente os acontecimentos a meu favor...
Sim, é verdade que o McDonald's aceitaria dólares mas só até à módica quantia de $20. Os colaboradores, depois de lhes explicar a minha demanda oferecem-me o jantar... Mesmo depois de insistir várias vezes de que tinha dinheiro e que também precisava de Euros, acabei por aceitar... Não é todos os dias que um gigante mundial nos oferece o jantar!

OK, foi a boa vontade dos vendedores, eu sei!

Sentei-me, um misterioso senhor pede licença para sentar na mesa onde eu já tinha pedido a uma menina que acabara de sair. Depois de comer, ouço-o a dizer que eu comia muito depressa! Razão para iniciar uma conversa... Expliquei que aquela velocidade tinha uma razão de ser. A demanda do quase Graal... Aconselhou-me o centro comercial ao lado!

Depois de ouvir "Nãos" mas sem nunca desistirem de mim, consegui trocar os meus preciosos dólares na compra de um creme hidratante para a cara que por acaso até precisava no tal Galeria Kaufhof, que acabaram por me sair mais caro do que se os tivesse trocado no hotel!
Sempre com simpatia, encontro 10€ no chão, alguém me avisa das luvas que vou espalhando pelo chão atrás de mim, consegui finalmente instalar a nossa preciosa língua no tal telemóvel para o trespassar a troco de carinho, isto numa gigantesca loja Samsung onde, se tivesse ainda mais euritos, me perderia por lá!

E nem aqui falta o Bar!


 




 Agora que acabo, não sei muito bem o que me levou a escrever isto tudo, mas parece-me que foi a aventura do meu dia de hoje e a possibilidade de a contar quase em directo... Aparte disso, estava um frio de rachar e adoro neve!


Sejam felizes e tenham muito cuidado a atravessar a rua!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Kuala Lumpur, Malásia

Hoje começo de uma forma ligeiramente diferente. Como sabem, este blogue destina-se maioritariamente a falar-vos das minhas viagens e dos lugares que visito. E tinha até já uma pequena introdução preparada para vos descrever a minha visita à Malásia mais propriamente a Kuala Lumpur, mas o meu vôo de regresso alterou completamente os meus planos.

Comecemos então pelo fim:

Antes de aterrar em Doha, a cidade que me acolhe, dirigi-me ao "Che", como Che Guevara assim me contou o pai para perguntar-lhe como estava. Estava bem, entretanto direccionei a minha atenção para o pai dizendo-lhe:

"Sabe, a maior parte dos passageiros não tem idéia do poder que tem um Comissário de Bordo. Nós podemos prender pessoas! Sabe do que estou a falar não sabe?"
Sim, foi a sua resposta ao mesmo tempo que nos cumprimentámos mutuamente e os nossos olhos não se desviaram. Notei um olhar de agradecimento com a perfeita noção do que estava a falar e uma quase lágrima a querer manifestar-se.

Deixei-vos curiosos? Vamos então ao início...

Hora de partir, hora de segurar a cabine. Até aqui tudo normal quando paro para pedir a uma mãe para sentar a sua filha direita e apertar o cinto de segurança pois estávamos prestes a levantar vôo. Uma resposta à qual já estou habituado sai-lhe da boca. "Não!". "Não, porque está a dormir e porque é uma criança difícil e porque num vôo anterior esteve a chorar durante uma hora". Resumindo, "Blá! Blá! Blá!". Depois de muito conversarmos e obviamente já com o apoio da minha chefe de cabine, lá aceitou finalmente que tinha realmente que acatar as nossas ordens em detrimento das normas de segurança da aviação civil. Sete horas de vôo, sete horas a ouvir a criança a chorar por toda e qualquer coisinha, exigindo tudo e a todos até mesmo numa altura em que houve séria turbulência e por me encontrar longe do meu assento, tive que me segurar no chão. Ordenei-a a sentar-se e apertar o cinto. Bem, depois disto tudo, de ter vomitado, puxado o vómito, mesmo até depois de ter brincado com o aviãozinho que lhe dei, a mãe veio pedir-me desculpa. Respondi-lhe que não precisava de se desculpar, que estas tarefas vêm com o trabalho mas que precisava de obedecer ao que nós dizíamos. Esta mãe, dona dos seus cerca de vinte e quatro, vinte e cinco anos aproveitou a conversa para desabafar um pouco, dizendo-me que tinha acabado de lhe bater, coisa que normalmente não fazia. Que realmente a filha era insuportavelmente difícil, chegando ao ponto de às vezes odiá-la. Os conselhos saíram-me, qual Dr. Phil e disse-lhe que esse sentimento não era de todo anormal, mas que tinha que ser firme com ela e que esta seria altura perfeita, pois se a passividade continuar, a adolescência seria cruel!

Bem, esta história está-vos a parecer um pouco fora de contexto? Vamos lá então...

Durante estas horas todas, há um rapaz que chega à "galley" (que é a nossa pequena base de serviços, ou mais vulgarmente falando, cozinha) com uma imensa comichão pelo corpo todo e manchas e inflamações. Como estava mais perto, coube-me de alguma forma a mim tratar do, como costumo chamar, "young man".
O rapaz foi medicado e, antes que contactássemos os médicos em terra, eu e uma enfermeira que estava como passageira que respondeu ao nosso anúncio, estávamos preocupados era se esta estranha e repentina alergia pudesse causar um edema da glote que é a consequência mais grave de uma reacção alérgica que inclusivamente pode provocar a morte por asfixia. Sim, este rapaz é que é o "Che", um rapaz com doçura na voz e a atenção colada em nós! Rapaz desenrascado...
Depois de todas as instruções e cuidados dados ao "Che" e ao pai que entretanto chegou meio perdido já que o rapaz se dirigiu a nós sem nenhum dos progenitores ter vindo, fui ter com a mãe para reportar o estado do filho.

Aqui vem a parte interessante.

A única coisa que ouvi dela enquanto tentava explicar o que se passava com o seu próprio filho foi, sem quase me deixar falar, nada de jeito. Nada que fizesse sentido. Olhei para a mesa dela e inspirei um pouco do aroma envolvente. Concluí a minha conversa com "Madame, não se preocupe que nós tratamos do seu próprio filho". Ela agradeceu e pediu-me um Bacardi. Começou aqui a guerra! Depois de lhe negar o álcool, começou a atacar-me verbalmente durante o resto da viagem.

Foi por um triz que a tal lágrima não se lhe escapou...

Sim, foi um vôo doido, mas com uma equipa espectacular! Tão boa que acabámos por receber uma carta com elogios de uma colega nossa que voava como passageira... Obrigado!


Agora,
Kuala Lumpur, Malásia



Malásia, terra verde, terra natural. Assim é a primeira impressão desde que se entra no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Deste verde percorre-me uma sensação de paz e de nostalgia... Digamos que verde não é a cor predominante de Doha. Mas este verde é diferente, tem um cheiro e características tropicais... Capital da Malásia, urbe algo cosmopolita mas, assim como Singapura, com cheiro e vegetação tropical. Cheiro a chuvas repentinas num calor humido... Cheiro a bom! Parece-me bem dar uma volta pela cidade.

Eid Mubarak - As torres estão fechadas




As Torres Petronas, claro! Deverá ser a principal atração turística desta cidade. Capa de muitos guias turísticos e cara de muitos postais também. Mas não deu para subir, pois nesse dia celebrava-se o fim do jejum do Ramadão. Celebrava-se o Eid Mubarak e por essa razão e como a Malásia é considerada um país muçulmano, as Torres encontravam-se fechadas por ser feriado.

Fomos então às Batu Caves, depois claro das tradicionais fotos às Petronas.
Batu Caves, além de uma pequena vila dentro de grutas bastante antiga, há também um Deus para se adorar duzentos e setenta e quatro degraus acima.
A adoração de um Deus que, segundo o meu taxista - uma peça sempre fulcral na divulgação de informações locais - era um ser superior que durante o reinado de um grande ditador na Malásia, tornava todas as pessoas vulgares, ou seja no mesmo nível ou estatuto sem diferenças. Segundo ele, todos os anos entre os dias 15 de Janeiro e 15 de Fevereiro há uma especial adoração como que um festival de orações 24horas non-stop.




Festas Rave? Hmmmm.......

Ahhh! Um episódio que quase me esquecia de contar! Não imaginam a dificuldade que tive para que me entendessem quando pedia um expresso. Sabem que se noutros países pedir um café, dão-nos a famosa versão americana e não a nossa bica. Paguei cerca de três euros por uma bica e não a consegui ter porque o rapaz, apesar de ter o moinho de café, a máquina e a chávena pequena, das três vezes que lhe tentei explicar o que queria, deu-me a versão americana, mesmo quando me deu na chávena pequena...
Desisti quando lhe tentei explicar que o expresso se tirava com uma dose de café do moinho, punha-se o manípulo na máquina como costuma fazer com os capuccinos e o expresso sai cremoso como eu queria. Respondeu-me que o creme estava no móvel ao lado. Desisti!



domingo, 29 de julho de 2012

Milão, Itália

Milão sem planos... É sempre bom sair sem ter que pensar em horários ou obrigações e foi exactamente nesse contexto que me obriguei a ir em direcção à histórica cidade de Milão. Já não era a minha primeira vez e que experiência deliciosa terá sido a primeira...


Pois então sem planos a não ser o de mais uma vez saborear Itália que me levei a almoçar! Nesta condição decidi-me a uma pizza e uma salada... Que saborosa me saiu, e fica assim o conselho:

Sempre que viajarem procurem sempre o que está por trás das zonas turísticas! Na maior parte das vezes é bem mais barato e, surpreendam-se,  saboroso!

Ok, o atendimento pode não ser o melhor mas também, estamos em Itália!



Onde há fumo há fogo.

Por outro lado e ainda na gastronomia como tema principal, geralmente onde há muita gente significa que há qualidade. Assim, numa das dezenas de gelatarias que há entre tão curtas distâncias, entrei na que tinha duas filas de gente literalmente até à porta! Que gelados deliciosos eles têm... Só que descobri uma curiosidade interessante acerca de mim depois destes anos todos: não sei comer gelados!

Sorte a vossa que não tirei foto às minhas mãos depois de saborear aquela obra prima erigida num cone com três sabores. Mas posso garantir-vos que a cor predominante não era a da minha pele mas sim a da primeira bola dos três sabores...  O castanho de chocolate! Mas isto não se deve só a não saber comer gelados, deve-se também ao facto de assim que se sai de uma gelataria, como se fora um sistema de alarme,  este entra imediatamente em decomposição, começando assim a derreter. É. A luta de gladiadores.  O homem contra o gelado...


Il huomo contra il gelatto

Recortes de Milão

Não estava assim tão desesperado!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Bruxelas, Bélgica



No centro de Bruxelas onde acabei de visitar o Grand-Place ou o Grote Markt já que aqui não se fala uma só língua e como bom português que sou, estava com uma vontade enorme de tomar um cafezinho... Daqueles! Encontrei o sítio perfeito, nada como o nome a indicar, Coffee Company! De preferência, tragam uma nota de um outro país e se a oferecerem, têm direito a um café grátis! Lá tive eu de beber dois já que já tinha pago o anterior...
"Mas como soubeste, Tiago?"
É fácil! Como negociador nato de ofertas que sou e após ver um pilar com várias notas de diferentes países coladas, perguntei (meio) na brincadeira se tinha algum desconto se oferecesse alguma nota de outro câmbio. O rapaz na sua simpatia respondeu-me que sim mas deveria ter dito antes e sugeriu-me que quando voltasse que teria direito à tal oferta. Quando me respondeu que o desconto era um café grátis, tive que fazer o esforço de beber o segundo café delicioso! Agora que acabei de escrever esta nota no Coffee Company e depois de dois shots de cafeína vou ver o que Bruxelas ainda tem para me oferecer para o tempo que ainda tenho! Até já!


A caminho de não sei onde parei numa loja dedicada só à Banda Desenhada e os seus personagens... Que bom regressar à infância onde até conseguia fugir do ATL sem que ninguém se apercebesse para passar horas e horas na já extinta Biblioteca Aquilino Ribeiro no parque homónimo da cidade de Viseu.




E na minha busca pelo puto que mija na rua que segundo dizem, é famoso por aqui, parei por um spot que pelo som do piano imediatamente me chamou a atenção - Le Cercle des Voyageurs. A medo, o de consumir, paro no hall de entrada. Mathieu, o pianista dá conta e eu mando uma piscadela de olho cúmplice. Cúmplice pela música... Pela arte! E este é um local que convida a arte a entrar... Podem entrar com ela, pois segundo o programa há arte gratuita todos os dias. Podem è ter que acompanhá-la com algo para petiscar e/ou beber... Por falar em beber, num país de grandes e boas cervejas, não podia deixar Bruxelas sem parar num local apropriado para beber esse delicioso sumo de cevada com gás... E com tantos locais apropriados não foi fácil decidir por qual escolher... Até foi, pois quando finalmente me apeteceu dei-me conta de que não havia grandes locais interessantes para o fazer nos arredores desta que foi baptizada de Brasserie de la Madeleine. E não sei se sou eu que sou romântico ou todos os lugares que convidam a sentar descansadamente a beber uma "survia", são locais onde vários intelectos se encontram para cruzar pensamentos, ou onde outros se refugiam na leitura ou ainda outros que se esgueiram para mais uma pausa na sua escrita. Pelo menos sint-me bem a pensar assim... Faz-me imaginar que sou um intelecto! Não sei também porquê mas estas pausas surgem no tal bem afamado lusco-fusco, embora aqui em Bruxelas este seja bem mais longo do que o aproveitado para o negócio que, se bem se lembram de um post anterior durava só entre cinco e sete minutos. Aqui dura cerca de três horas... O que é meio perigoso pois pode-se sair dele um pouco tocado! Vamos ver...

Apesar de a noite vir tarde mesmo em tempo de chuva, a cidade fica deserta e para chegar à Estação Central de Bruxelas, acelero o passo sem parecer perdido, mas estava pois apesar de estar ainda a tempo de apanhar o comboio de regresso deparo-me com portas fechadas e quando vejo que alguém parece perdido, pergunto-lhe se também estava à procura da estação. Apontou-me as escadas que desceriam para o meu destino e que estavam na direcção oposta da porta fechada!


Eu sabia que era algures por aqui!
A reter que em todos os lados há gatos pardos e bem visíveis. Quando saí da estação assim que cheguei à cidade do Tintin estavam três agentes de segurança especial das linhas ferroviárias bem armados inclusive com coletes à prova de bala. Questionei-me seriam de uma companhia de segurança privada ou de uma sub-divisão especial da polícia e se actuariam se algo acontecesse no meio da rua. Não sei o que aconteceu, mas de repente vi-os a correr no jardim em direção a um grupo de gatos pardos... Outra situação foi em pleno dia e num ponto de interesse de estilo renascentista com uma entrada imponente que merecia uma fotografia decente tanto pela sua envergadura como pelas suas estátuas e o seu escadario. Pois nesse escadario encontra-se o maior número de gatos pardos e reacções suspeitas por metro quadrado que só imaginaria ver numa prisão. Enquanto tirava as ditas fotografias, apercebo-me de alguém a gritar e a levantar-se em direcção a mim. Sim, a questionar-me de onde era ao qual respondo com um simples "Porquê?".
"Porque estavas a tirar fotos a mim" e coiso e tal.


Respondo-lhe que não e que estava somente a fotografar o monumento e viro as costas a fazer-me de interessado pelo que está no outro lado da rua para não atrair problemas.
Moral da história, não sei! Mas cuidado com os gatos pardos de dia neste escadario, que se situa numa alameda principal de seu nome no mapa Boulevard Anspach onde não me apercebi de nenhum polícia fardado. Mas senti-me seguro na mesma, no geral.
Uma cidade e um país a revisitar com toda a certeza pois da amostra que obtive, deixou um rasto de aromas que me hão-de guiar por lá outra vez.


Agora deixem-me tirar o bilhete do bolso pois o revisor vem aí... Dei-me conta entretanto que viajava em primeira classe! Como identificar? Simples (?): Pelo número 1 na porta da carruagem que viajava!


Ah! O revisor acabou de passar outra vez e se bem viram a foto, pelo meu dever cívico retirei as pernas de cima do assento da frente. Ele sorriu e consentiu com a cabeça, mas voltou para trás para me aconselhar: "Sabes, aqui na Bélgica podes ser multado por essa acção em 60€...". Obrigado! Não voltarei a fazê-lo!

domingo, 6 de maio de 2012

Viseu & Porto & Aveiro, Portugal

Finalmente regressei... Ao blog e em força!

Antes demais tenho a agradecer-vos pelo apoio que me têm dado e pela pressão para manter esta chama bem viva.

Agora tenho uma surpresa para comemorar as 2000 visualizações. Esta barreira foi atingida enquanto estava algures... Vou falar de um pequeno país à beira-mar plantado e tão rico de tudo (sim, menos de dinheiro!). Mas apesar de ajudar, não é tudo e fui tão feliz neste regresso tão esperado... Fiz um pouco de tudo e registei outras tantas coisas! Conheci ainda melhor sítios que já conhecia... Tanto para escrever, tanto para contar mas há imagens que falam por mil palavras, por isso desta vez não vou contar tanto mas sim mostrar um pouco mais!

Primeiro vale a pena referir que viajar na minha companhia como passageiro é muito interessante e confortável. Mesmo passando 90% do vôo a dormir... Que maravilha! Só me faltava mesmo voar num Melro. E assim foi... Depois da correria parra sair de um terminal de Madrid para outro um pouco longe onde iria ter de apanhar o meu Melro, e tendo a primeira escala chegado com trinta minutos de atraso, só pedia para chegar a tempo. Cheguei! Mas ainda tive que esperar que a equipa do Apoel (que iria jogar nesse dia contra o Real Madrid para a Liga dos Campeões) e os jornalistas passassem a passadeira para o autocarro parar e eu poder finalmente sair para mais uma maratona! Ai se eles soubessem que eu estava ali...


E depois deste "Cheguei!", consegui finalmente regressar a Casa, com uma Comitiva real à minha espera no segundo melhor aeroporto da Europa situado no actualmente melhor destino turístico Europeu. Só podia ter mesmo a melhor comitiva do mundo para me esperar! Se bem que quase fui eu que esperei por eles... Enfim, o regresso à minha verdejante paisagem e à verdadeira condução - com regras! Depois de 9 meses sem pegar num carro não me saí assim tão mal!

Ah! E o regresso ao inverno Português! - nada comparado com andar de bicicleta na neve em Oslo sem estar devidamente agasalhado! (Mais tarde explico!)

E por falar em riquezas portuguesas... Vamos mas é jantar!

Dia 1 - Ir buscar a minha máquina fotográfica compacta que estava avariada e... Mariscada e cerveja com amigos!



Ainda aprendi o curso de partir sapateira com um martelo. Obrigado pelo truque do guardanapo!


Dia 2 - Jantar com a família - enfim, comer bem com calor entre o frio!



Dia "já não sei quantos porque já lhes perdi a conta" - fim-de-semana sem grandes planos no Porto - Boa(s) Cama(s) Boa(s) Mesa(s), qual Edição Expresso. Bingo, Caldo Verde, Mar, Francesinhas, cinema ("Em Terra de Sangue e Mel" de e por Angelina Jolie - abismal!), pipocas (as melhores do mundo no Arrábida), Sushi...



Sabem que não costumo falar das marcas que visito, mas daqui tenho que salientar um hotel do qual tinha lido umas breves palavras numa edição Se7e da revista Visão. Não me conseguia lembrar sequer do nome mas acabei por encontrá-lo depois de ter surgido a lâmpada sobre a minha cabeça quando alguém me repetiu esse nome como uma simples sugestão!

É com orgulho que afirmo que em Portugal, as estrelas são atribuídas realisticamente! As cinco estrelas são realmente sinónimo de qualidade e conforto... Este hotel em Gaia baptizado de Yeatman deveria possuir seis ou mesmo sete. Pela beleza e pelos detalhes todos dos quais fiz questão de os elucidar por escrito directamente ao hotel.



A arquiquectura que põe-nos ao contrário como as encostas vinhateiras do Douro, um bagageiro que mais parece um historiador, uma recepção que são somente duas secretárias, a decoração dos andares e de todos os quartos que são todas diferentes, como se de uma casa se tratasse... E a vista!



Vale a pena... Por tudo!

No meio disto, nesta busca por este hotel, todos os caminhos davam a um hotel velho com aquelas persianas antigas brancas. "Não! Isto não pode ser de cinco estrelas!"

Mas era e todos os GPS's me orientavam para lá, incluindo a descrição do Guia Boa Cama Boa Mesa incluído num dos GPS descrevia-o como algo luxuoso sem comparação... À procura de restaurante para jantar e já depois de me ter instalado finalmente no Yeatmen (não é Yémen, ok?), maais uma vez fui orientado para bem perto desse velho hotel. Infante de Sagres, entrei e estava a decorrer um pequeno concerto de música clássica. Cheio de pessoas de classe e cheio de classe desde a decoração até ao atendimento... Para a próxima!

Moral da história: Não se julga um hotel pelas suas persianas!





Alguns dias depois...

Uma visita mais ou menos inesperada... O Yussef, O Turista, o meu parceiro não só de casa mas também uma pessoa que considero um amigo! À custa dele, lá tive de mostrar a nossa bela comida e claro, mais um pouco do nosso belo Portugal! Coincidentemente um dos dias estava já dedicado a uma criança muito especial na minha vida! Tive de partilhar este dia com duas... Sim! Quando descobrimos algo que não conhecíamos antes parecemos autênticas crianças...

Aveiro e as suas tripas... Viseu e o Viriato... E um restaurante típico que descobri nesse dia para poder mostrar os nossos tesouros culinários tradicionais, situado ao fundo da Sé de Viseu - "A Viela"... Lá teve quue vir também o belo do Vinho da Casa... Porto e a loja da Disney e a da Nike para encanto dos pupilos... Não necessariamente na mesma ordem!


Mas atenção! Houve uma recepção especial altamente treinada e ensaiada para o lutador de MMA! Leitores, não tentem isto em casa...




E entre dentistas, aulas de Cross Fit, Scwinn Cycling, Body Attack e Body Lanches, o verdadeiro jantar veio finalmente... E não sem desporto também - o Cross Fit veio mesmo para ficar!

Até já, meus grandes amigos!




E como não poderia deixar de ser, a música...
Foi um dos muitos momentos altos, é o que eu sinto e até o nome do grupo é a definição de tudo: Fun.!

Fun. feat. Janelle Monáe - "We Are Young"



E claro... "Ai Viseu"
Que linda és!



P.S.: E quase me esquecia... Não deixem nada por fazer! Uma das coisas que não vou deixar por fazer agora é dedicar-me mais a sério a uma das minhas muitas paixões: a Fotografia! Aproveitei esta estadia para investir também numa nova câmara fotográfica, mais profissional! Agora, toca a aprender...

Comecemos pelo livro de instruções!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Katmandu, Nepal

Começo pelo inicio: Hoje fui chamado ao escritório!

Sim, este é o início da história que se segue. Fui a Kathmandu já por duas vezes e das duas vezes, o Nepal mostrou-me sensações tão de pacíficas como de caóticas. É mesmo essa a mística da capital do país onde nasceu o Buda.

Uma das experiências já a tinha relatado numa nota que escrevi, que por sinal foi a minha Passagem de Ano quando lá estive que passo a citar:

"Ainda me lembro de um documentário que vi com a nossa jornalista Teresa Conceição (se  memória não me falha) que sempre admirei pelo seu espirito de aventura, irreverência e a sua paixão reflectida nas suas palavras... Era mais um diário sobre uma jornada Camel Trophy by Land Rover pelo Tibete... Claro que antes disso passaram pelo Nepal e aí, já sabendo qual era o pico mais alto do mundo e sabendo mais ou menos o que representava já na altura o Tibete que fiquei com um desejo crescente de o visitar. O filme "Sete Anos no Tibete" veio ajudar e ainda fazer-me desejar viver (quase toda) a acção nele decorrida... Felizmente, e gracas a minha actual vida, consegui realizar uma parte deste sonho!


Passagem de ano em Kathmandu? A chegar cerca das 22:30, ainda pensava celebrar a entrada em 2012 ainda a trabalhar... E iria divertir-me na mesma!!! Mas felizmente, com boa vontade de todos (e penso que também dos passageiros que voaram connosco que deviam querer ir para 2012 fora do aeroporto) chegámos ao hotel ainda a horas de podermos ser nós próprios (civis!) nas boas vindas a 2012! Que festa... Com algum nada à nossa volta, fizémos nós a nossa festa... E não se preocupem pois passei a sabedoria da nossa tradição e dei a oportunidade a todos os meus colegas, incluindo mesmo os que iriam regressar na rota que eu voei, de pedirem os famosos desejos ao som das baladas (que também ajudei a representar com a minha garrafita de Carlsberg de litro e o meu copo de tequilla a baterem um no outro) e a comer as doze passas... Ahhh... Que bem que soube mostrar o que é nosso! Não pelo ser português mas sim por ser algo típico e por estar a ser utilizado para unir várias culturas e religiões e a dar a oportunidade de fazer com que sonhos ou objectivos se realizem!

Mas "cedo" nos fartámos de estar sentados no Lobby Bar que já tinha fechado e apesar de ainda estar a dar a minha musiquinha dos anos 80 e 90 (fui carregado de equipamento de som!), precisávamos de algo mais. Foi então que alguem se lembrou de que estava um casino aberto 24 horas por dia e fomos... Chegámos todos à conclusão de que era mesmo um casino. Daqueles que são só casinos! Sabem? Só de jogo...

Enfim, regressámos mas felizmente havia afinal uma discoteca aberta num quarto qualquer! Onde mais uma vez lá fiz de Dj... Pelo que me iam pedindo, a música portuguesa está em grande no panorama internacional! Não que conhecessem muito mas pelo menos tinham interesse em conhecer.



Sistema de transportes públicos de Kathmandu?


Sim, fazia planos de me levantar por volta das nove da manhã para aproveitar o pequeno-almoço grátis (tão boa esta palavra!) e visitar o Swayambhunath, mais conhecido por Templo dos Macacos.

Hmmmm? Adivinharam! Não acordei a horas para tal... Mas não deixei de ir só que quando me decidi a ir o sol já se estava a pôr. Foi aí que começou a demanda de encontrar táxi. Haver havia - às dezenas de cada vez parados como se estivessem numa praça. Sempre que tentava negociar preços com alguém diziam-me sempre que não podiam pois estavam na fila, mas sempre que perguntava onde começava a fila, se pela frente ou por trás (mantenham-se no contexto, por favor), respondiam-me qualquer coisa naquele inglês já famosamente imperceptível (pelo menos por mim). Finalmente depois de encontrar um táxi a um preco razoavel na estrada fiquei a saber que o que eles realmente estavam à espera era de cobustível pois aparentemente há uma grande lacuna na distribuição devido aos preços altissimos praticados em quase todo o lado (menos no Médio Oriente!).

Depois de uma estrada que mais parecia um caminho de cabras do monte, e depois de termos optado pelo caminho de carro e não pelo pedestre pois já estava escuro,  lá chegámos! Não imaginava a quantidade de macacos existentes naquele templo - são cerca de oitocentos. Fotografias não há muitas pois já quase nada se conseguia ver... Mas conseguia sentir a forte presença espiritual à minha volta! Não sei se era dos gigantes Budas, se das rodas da sorte que devem ser giradas sempre no sentido do relógio, se do que os locais chamam The Mountain (Evereste)... Só sei que queria voltar àquele lugar no cume da montanha para conseguir ver o que a escuridão escondia.

Excelentes notícias! O meu vôo de regresso tinha sido cancelado, o que me deu mais 24 horas para, como diz o Pedro Abrunhosa, "fazer o que ainda nao foi feito"! Obrigado, Buddha... Pela oportunidade!

Levantei-me cedo, aproveitei o tal pequeno-almoço grátis mas... Estava chover... Regressei ao quarto... De repente... O sol abriu o seu sorriso e piscou-me subtilmente o olho, fazendo-me reflectir e concluir que estava na hora de aproveitar esta oportunidade. Fui! Pelo caminho pedestre...

Este caminho consiste basicamente em subir o lanço de trezentos e sessenta e cinco degraus com uma inclinação de quase cem por cento.


À conversa com... 
um cameraman da
National Geographic
Assim que cheguei, dois miudos perguntaram se se poderiam juntar a esta jornada com o intuito de melhorar o inglês. Claro que desconfiei mas aceitei e aproveitei esta oportunidade para perceber melhor o templo e o budismo em si... Segundo as crenças budistas, deve-se sempre iniciar a jornada pelo lado esquerdo, no sentido dos ponteiros do relógio e deve-se completar assim o ciclo de regressar pelo lado direito para atrair boa sorte... E assim me mostraram o templo todo, onde consegui no meio de confusão, de tentativas de negócios e monges budistas e ocidentais a cantar enquanto davam uns acordes na sua viola, ver paz! Ao som de macacos a saltar e a passarem por mim e águias a planar e a descansar em árvores despidas de folhas com Kathmandu e os Himalaias como pano de fundo... Silêncio bem aproveitado a absorver o que o Nepal me estava a oferecer. Delicioso... Namaste

Vi uma piscina de macacos que não estava a ser utilizada devido ao frio do inverno (talvez o spa dos macacos estivesse em manutenção!), os três budas na foto representados que são respectivamente da Índia, Nepal e Tibete... Segundo a História o Buda que quando nasceu era só um nasceu no Nepal...


Na foto, um funeral segundo a
tradição hindu com a respectiva

cremação do corpo (explicado

por um dos meus "guias")


Quando finalmente regressei ainda com o Susan e o Darshan a acompanhar-nos, quando completei o ciclo da minha jornada, pediram-me para comprar leite para os seus irmãos... Um leite que mesmo depois de lhes pedir a verdade, a meu parecer os comerciantes já sabem o que os visitantes irão comprar e que já têm um preço "taxado" especialmente para turistas. Quero eu dizer com isto que quem quiser acreditar que está a ajudar alguém pode trazer leite, fruta ou calçado fechado pois estes dois miúdos costumam passear de chinelos de praia... Nota-se perfeitamente que estão habituados àqueles passos, mas...


Estes 365 degraus, para mim representam todos os dias (este ano é bissexto mas hoje já é dia 2) que terei de escalar este ano com alguns degraus mais dificeis do que outros de subir mas no final a paisagem é desconcertantemente calma... Feliz 2012 e Vejam sempre o copo meio cheio!

Namaste"







Longe de saber a lição que a vida (ou um futuro passageiro) me viria ensinar...

No meio das muitas tarefas que tem um Cabin Crew, estava eu a servir o jantar aos passageiros no vôo de regresso a casa quando um passageiro me mostra um papel escrito em inglês que dizia qualquer coisa como "Peço desculpa mas por motivos de saúde não posso comer as vossas refeições".

Nunca se deve pedir desculpa por se estar doente e foi com esse comentário e com vontade de arranjar uma solução para este passageiro não passar a viagem de estômago vazio que lhe consegui arrancar um sorriso no meio de uma cara de visível sofrimento... Foi então que para melhor lidar com esta situação que este senhor, chamado de James Butt, me confessou que lhe tinha sido diagnosticado um cancro no estômago.

Passado algum tempo depois do serviço e já com as luzes apagadas pois este era um vôo nocturno, ao passar pela cabine, deparei-me com um olhar para o vazio visivelmente transtornado. Eu sou um ser humano e sei que às vezes em momentos menos bons basta alguém puxar-nos um sorriso para nos fazer acordar virados para o lado em que a lua brilha... Vi um lugar vazio ao lado do James e pedi autorização à minha CS (chefe) desse vôo para me sentar ao lado dele ao qual amavelmente ela acedeu ao meu pedido!

Foi esta a deixa para uma conversa que se veio a tornar também numa importante lição pessoal... Falámos um pouco de tudo, desde esta ser a terceira vez que o cancro o atacava, passando pelo facto de o James já ter escalado o Everest até à experiência que teve nas Forças Especiais Britânicas cujo nome oficial é SAS...

Cresci muito com este momento e também eu fui confortado com esta conversa e a frase do até já foi qualquer coisa como "Se já sobrevivi a algumas balas, não é este bicho que me vai roubar a vida".

Foi com esta força que me levantei e agradeci a James pela lição que ele me deu...

Importante aqui dizer que ele me agradeceu por ter transposto a barreira do que é um Cabin Crew... Aquela idéia pré concebida de um robô que abre e fecha as portas, arma-as e dearma-as, serve e segura a cabine... Estas são palavras de James e não me interpretem mal pois o facto de estar a escrever esta parte é somente para demonstar que às vezes um gesto, por mais pequenino que seja, consegue alterar por completo o nosso dia.

Recordo assim uma música que representa a mensagem que gostaria de passar... Desta vez um clássico do Bobby McFerrin, cuja frase principal me tem acompanhado todos estes novos dias, "Don't worry, be happy"!

Não se preocupem, sejam felizes...




Ahhhh... Fui chamado ao escritório! O James escreveu uma carta à minha companhia da qual num ambiente um tanto ou quanto descontraído (eu estava ainda na expectativa) com três  Performance Officers (traduzindo, uma espécie de avaliadores de performance) à minha volta leram-ma...

Não, James... Eu é que te agradeço... Por fazeres de mim uma pessoa bem mais rica do que era antes de te ter conhecido!

Obrigado

P.S.: E num aparte, um agradeço especial às pessoas responsáveis pelo reconhecimento.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Beirute, Líbano

Uma aventura em Beirute

Podia muito bem ser o título de mais uma fantástica aventura das nossas famosas escritoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada das quais confesso ainda ter o bichinho de ler. Não foi (pelo menos ainda)!

Tenho dois tipos de vôos: com "layover" ou "turnaround". Tal como os nomes indicam, são respectivamente ficar no destino ou ir-e-vir directamente. Outra coisa que muita gente se deve perguntar é "Mas que raio é que estes gajos trazem dentro daquele trolley para andarem sempre com ele?". Passo a explicar: além de informações e documentos super importantes e instrumentos de trabalho como lanternas, luvas e alicates (estamos preparados para quase tudo!) andamos também com um conjunto obrigatório denominado de "nightstop kit". Roupas civis e um nécessaire para o caso de ser necessário pernoitar num destino para o qual não seria suposto fazê-lo.

O quê? Já sabem o que me aconteceu?...

Pois foi isso mesmo... Um vôo extremamente desafiante pelas mais variadas razões mesmo sendo curto finalmente tinha acabado e só pedíamos para que o regresso fosse bem mais calmo... Mesmo depois de chegarmos à conclusão que não iria sê-lo já que tinham acabado de actualizar-nos com o número de passageiros no regresso: Cheio! Outra vez...

Tanto que pedimos que chegou-nos a notícia de que o avião tinha um problema técnico e que estavam a tentar encontrar uma peça essencial para este funcionar... Depois de umas horas à espera deitados na primeira classe a ver "As Aventuras de Tintin", finalmente recebemos as novas de que iríamos passar a noite em Beirute, no Líbano. Nunca pensei que iria fazer uso deste tal de nightstop kit, mas o que é certo é que deu-me um jeitaço e ainda devo actualizá-lo... Colocar uma sweat-shirt para o caso de pararmos em sítos onde chove torrencialmente e a temperatura não ser assim tão alta como isso... Ah! Foi o que me aconteceu... E não me esquecerei de ter sempre um livrito, uma revista, um tablet, enfim... Estão a ver a cena... Não que me esteja a queixar já que uma excelente notícia que nos deram foi que para compensar teríamos room service e refeições gratuitas, por isso creio que entertenimento também não me fez assim tanta falta... Ah! E já agora, o hotel era muito bom também... 
Curiosa foi observação do recepcionista quando começou por nos dizer "Er... Desculpem. quase que me esquecia de vos dizer mas já não temos quartos...". O quê? Quartos disponíveis para todos?
"... quartos com camas king size!". Ahhh! Ufa...

As tais camas que não eram as king size são as equivalentes às de casal que nós conhecemos... E ainda por cima tive direito a um quarto-de-vestir! Só não lhe dei muito uso, como devem imaginar...


Portanto, um turnaround que se tornou num layover, mais uma vez curto mas intenso... Não tanto mas intenso na mesma até porque ainda aguentei cerca de dois minutos a ver a versão árabe dos Ídolos: "Arab Idol"! Huuummmm...



Mas mais intenso foi mesmo o regresso... Arrancaram-nos da cama bem cedo (a tal ponto de não ter tido tempo de usufruir do pequeno-almoço grátis) para nos informar que a nossa partida seria dentro de bem pouco tempo, que iríamos operar o vôo de regresso mas... Sim! Com o avião vazio... Aventura de primeira classe! Sim... Outra vez, mas o filme desta vez foi o "Gato das Botas"...

Adorei! Todo este filme...